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Deus usa homens

Foi na semana da Páscoa de 1911 que se iniciou a pregação do Evangelho de Jesus Cristo em Ponte de Sor. Através do irmão Jacinto Pereira Cardoso, um simples empregado de escritório da Companhia dos Caminhos de Ferro Portugueses, instrumento de Deus para esse fim, o trabalho foi iniciado numa casa situada no Largo do Palácio da Justiça, no rescaldo da implantação da República em Portugal (5/10/1910). Época em que os chamados "livres pensadores", incrédulos e ateus, bastante activos, moveram forte oposição aos crentes.

Fiéis na Perseguição

Mais tarde, a perseguição veio da parte da igreja tradicional portuguesa, e,. José Marques Calado, aquele que viria a pastorear a Igreja Evangélica Pontessorense durante aproximadamente meio século, chegou a ser apedrejado enquanto evangelizava, tendo sempre, pela graça de Deus, escapado ileso de tais crueldades. Durante o tempo da ditadura Salazarista os crentes foram muitas vezes insultados e ameaçados de prisão, tendo sido essa uma prática constante, até à implantação da democracia em 1974.

Deus dá o Crescimento

Foi convidado para tomar a responsabilidade do trabalho evangélico em Ponte de Sor, o Rev. José Augusto dos Santos e Silva, pastor Congregacional em Lisboa. Pouco tempo depois, o pioneiro do trabalho, irmão Jacinto Pereira Cardoso mudou para a Secção dos C.F.P. em Castelo Branco. As reuniões ficaram sob a responsabilidade de evangelistas e pastores da Igreja Evangélica Congregacional do Rossio ao Sul do Tejo, sendo os cultos realizados uma vez em cada mês pelo pastor, e nos intervalos, pela irmã Amélia Feliz, membro daquela igreja. O trabalho mais tarde também contou com a ajuda dos irmãos Joaquim Rosa Baptista, Ângelo Garcia, este de origem espanhola, António de Souza Ramos e Júlio Roberto dos Santos. O Pr. José Augusto dos Santos e Silva visitava Ponte de Sor de quando em quando, como o seu pastor, e mesmo depois de entregar a responsabilidade do trabalho a outros irmãos, continuou a dar assistência. Faleceu em 15/2/1940 e pouco depois, a quase totalidade das igrejas Congregacionais em Portugal aceitaram ser mantidas financeiramente pelos Presbiterianos Americanos. Sendo assim, permaneceram fiéis ao Congregacionalismo a Igreja Evangélica de Chelas (Lisboa) e a então Congregação de Ponte de Sor.

Deus Providencia Obreiros

José Marques Calado, presbítero e evangelista desta Congregação, assumiu a responsabilidade do trabalho, tendo sido posteriormente investido no seu pastorado. O Senhor estendeu a Sua mão e misericórdia sobre este trabalho.

A Igreja é Organizada

Em fins de 1953, a Congregação de Ponte de Sor organizou-se em Igreja, e em 2/1/1954, já tinha estatutos oficiais aprovados legalmente. A Obra começou a desenvolver-se e a crescer, almas a renderem-se a Cristo e a unirem-se à Igreja pelo baptismo.
O Evangelho começa a expandir-se para outras localidades e novas Missões são abertas, atingindo um total de dezoito locais de culto.

Mais Obreiros

Pela graça de Deus, novos obreiros foram acrescentados para o desenvolvimento do trabalho: O Pr. Daniel Santos e Silva Calado, que actualmente pastoreia a Igreja de Paio Pires, trabalho iniciado por crentes de Ponte de Sor que para lá foram, e o Pr. Victor Manuel Ramos Biscaia que tendo concluído os estudos no Seminário Teológico Congregacional do Rio de Janeiro, retornou para trabalhar em Ponte de Sor. Actualmente é responsável pelo Núcleo Missionário que a igreja mantém nos Foros do Arrão, incluindo as Missões da Farinha Branca e Tramagal.
Em 1991, foi dada autonomia a quatro Missões situadas no Concelho de Coruche e entregues ao Pr. João da Silva Narciso. No início deste mesmo ano, a igreja convidou o Pr. Oswaldo Braz Carreiro Filho para assumir o seu pastorado, vindo do Brasil com a sua família para trabalhar juntamente com o Pr. José Marques Calado e esposa, e o Pr. Victor Manuel Ramos Biscaia e família. A Igreja desenvolve o seu ministério também nas seguintes Missões: Tramaga, Brunheirinho, Pinhal, Cabeço de Vide, Ervideira, Galveias e Vale de Açor.
Para o desenvolvimento do seu ministério, a Igreja conta ainda com a participação de vários outros irmãos. Em 1996, o Pr. Eduardo Carlos Prado e esposa, outro obreiro vindo do Brasil, foi convidado para colaborar com os ministérios da Igreja, assumindo a responsabilidade da Missão do Brunheirinho.
Depois de muitos e longos anos, como servo fiel e incansável na labuta do Mestre e pastor da Igreja Pontessorense, partiu para o descanso eterno, no dia 12/4/97, o Pr. José Marques Calado, cujo exemplo continua a inspirar os crentes e obreiros para a tarefa que nos fora confiada pelo Senhor da Seara: "...pregar o Evangelho a toda criatura".
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